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  • Uefs realiza seminário para celebrar 5 séculos da Reforma Protestante


    16.10.2017 11h01m
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    Uefs realiza seminário para celebrar 5 séculos da Reforma Protestante

    Consolidada como uma das instituições de ensino superior mais importantes do Norte-Nordeste do País, a Universidade Estadual de Feira de Santana – UEFS - vai trazer para mesa de discussões a Reforma Protestante, movimento religioso, liderado pelo monge alemão Martinho Lutero (1483 -1546), que eclodiu no século XVI e que teve como objetivo reformar a prática de fé por meio do retorno às Escrituras.

    O evento, que será realizado nos dias 25 e 26 deste mês, no auditório do módulo 7, foi batizado de “Seminário 500 anos da Reforma Protestante e seus desdobramentos no Brasil”, cinco dias antes do 31 de outubro, data em que Lutero fixou suas 95 teses em Wittenberg contestando a doutrina vigente e resgatando o cristianismo bíblico. 

    Abordar a influência da Reforma e seus desdobramentos no solo brasileiro, sobretudo em Feira de Santana e em outras cidades da Bahia, é uma oportunidade impar que a Uefs está dando para que ocorra um reencontro com os cincos princípios que motivaram a revolução luterana: “Sola Scriptura” (Só as Escrituras); “Sola gratia” (Só a graça); “Sola Fide” (Só a fé) e “Solus Christus” (Só Cristo)”. É fundamental que este retorno ao Cristianismo primitivo ocorra com uma certa urgência já que o contexto de degradação moral e superstição religiosa que enfrentamos atualmente é similar ao de Lutero, na Alemanha de sua época.

    Em virtude disto, o tema é de profundo interesse, não apenas da comunidade acadêmica e científica, mas também de toda a sociedade, sobretudo daqueles que professam a mesma fé que Lutero e lutam contra o sistema corrupto e imoral que tenta transformar as verdades bíblicas em fábulas banais. Pastores, padres, teólogos, crentes (ortodoxos e/ou liberais) e até mesmo ateus precisam sentar à mesa com o olhar limpo para dialogar sobre esta importante temática que afeta a vida de milhões de brasileiros.

    De acordo com levantamento realizado em dezembro do ano passado, pelo instituto Datafolha, o número de protestantes na nação verde e amarela corresponde 29% da população, o número, expressivo, bate sete pontos percentuais a mais do que o Censo 2010 do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Isto significa dizer que os protestantes no País não param de crescer e já somam mais de 43 milhões. 

    A maioria destes, poderiam nem estar vivos hoje. Muitos viviam de forma degradante, jogados no submundo do tráfico de drogas e da miséria; outros tantos eram considerados estercos da sociedade, não frequentam escolas, vivam em conflitos domésticos constantes, não tinham prestigio algum e experimentavam as dores da marginalização. No entanto, depois que começaram a seguir os princípios da Reforma, suas vidas nunca mais foram as mesmas. 

    Por que é importante lembrar? 

    As Escrituras registram que essa transformação só é possível porque o espírito do Senhor DEUS está sobre cada um deles; porque o SENHOR os ungiu, para pregar boas novas aos mansos; restaurar os contritos de coração, proclamar liberdade aos cativos e a abertura de prisão aos presos; a consolar todos os tristes; a ordenar acerca dos tristes que se lhes dê glória em vez de cinza, óleo de gozo em vez de tristeza, vestes de louvor em vez de espírito angustiado; a fim de que se chamem árvores de justiça, plantações do Senhor, para que ele seja glorificado” (Isaías 61:1,2).

    É este o trabalho desenvolvido por protestantes em todas as partes do Brasil e do mundo. Talvez seja por isso que um articulista de uma revista tendenciosa chamou-nos de “gente incômoda”. Incomodamos porque assim como Lutero, lutamos para que todos cheguem ao pleno conhecimento da Verdade. 

    Vale a pena participar desse seminário que será realizado pelo Núcleo de Pesquisa da Religião – CPR – vinculado ao Departamento de Ciências Humanas e Filosofia da Uefs (liderado pela professora doutora Elizete da Silva) em parceria do Colegiado de História da Universidade Federal do Recôncavo da Bahia – UFRB – e com o curso de Pós-Graduação em História da UFBA – Universidade Federal da Bahia. 



  • Reforma Protestante: quem explica Deus?


    09.10.2017 11h31m
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    Reforma Protestante: quem explica Deus?
    Com a Reforma, O Filho de Deus voltou a ser o caminho de salvação. A Palavra de Deus voltou a ser importante fonte do falar de Deus, essencial para transformação do homem

    Por Nils Alberto G Bergsten (*)

    Alguns eventos tem o poder de marcar e até mudar a História. O Atentado de 11 de Setembro às Torres Gêmeas, nos EUA, é um bom exemplo, em tempos modernos.
    O ano de 1517 marca o início da chamada Reforma Protestante, que em 2017 completa 500 anos. São 500 anos que alguns vilanizam um homem, Martinho Lutero, como se ele tivesse, à época, premeditado cada ação para obter repercussão de transformação ao longo dos próximos séculos.

    Os tempos eram complexos. James Hitchcock, sintetiza que "a Igreja Católica, como instituição universal, figurava como um obstáculo às emergentes monarquias nacionais". Sobre Lutero ele diz "A Europa estava pronta para a explosão, e Lutero acendeu o pavio". Christopher Dawson, respeitado historiador católico, explica que a cultura da Renascença era urbana e semelhante às cidades-estado do mundo grego, propiciando o surgimento de uma elite intelectual e convidando o cidadão à liberdade individual. Também descreve os muitos movimentos de Reforma, citando homens como Jan van Ruysbroeck de Groenendaal, fundador de uma comunidade de leigos chamada Irmandade da Vida Comum, onde se destacavam Nicolau de Cusa e o próprio Erasmo de Roterdã. A "panela de pressão" estava no fogo e em plena pressão, quando tudo aconteceu.

    Que grito era este, preso na garganta de tanta gente, aparentemente "contra Deus e Sua Santa Igreja?" Que motivos são esses, de se levantar contra "a verdade"? A Reforma foi mesmo rebeldia iluminista? Citemos então agora algumas passagens bíblicas: Salmos 115.2,3 - Por que perguntam as nações: "Onde está o Deus deles?" O nosso Deus está nos céus, e pode fazer tudo o que lhe agrada. Daniel 4.34 - ...eu, Nabucodonosor ...louvei o Altíssimo; honrei e glorifiquei aquele que vive para sempre... Ele age como lhe agrada com os exércitos dos céus e com os habitantes da terra. Ninguém é capaz de resistir à sua mão nem de dizer-lhe: "O que fizeste?". Is 43:13 - Ainda antes que houvesse dia, eu sou; e ninguém há que possa fazer escapar das minhas mãos; agindo eu, quem o impedirá?

    As Escrituras Sagradas, sim, elas explicam Deus. Jesus encarnou para Revelar Seu Pai, revelar Deus, diz João 1.17. Conhecemos a Deus olhando para Jesus, e uma das verdades mais detalhadas das Escrituras é a Soberania de Deus, o Seu poder de interferir e controlar toa a História. Nada escapa ao Seu olhar. As Nações da Terra são reputados uma gota num balde, com o pó miúdo da balança, que não afeta o resultado final em nada. Aliás, diz Isaías 40.16,17, Deus considera as nações como "menos do que nada"!

    Os céus dos céus não podem abrigar Deus, como então Ele seria aprisionado em uma instituição? Como Deus seria capturado pelos rituais e dogmas de quem quer que seja? Quem o compraria com missas e cultos? Quem o enganaria com boas obras e bons comportamentos? Deus mesmo diz "O Senhor não vê como o homem: o homem vê a aparência, mas o Senhor vê o coração".

    A Reforma Protestante libertou Deus. O Filho de Deus voltou a ser o caminho de salvação. A Palavra de Deus voltou a ser importante fonte do falar de Deus, essencial para transformação do homem.
    Com a Reforma Protestante sabemos que Deus não pode ser capturado por nenhuma mente humana, não pode ser domesticado, não pode ser controlado por boas intenções e rituais bem arrumados. Deus requer vida santa, humildade, contrição e adoração genuína, mediada pelo sacrifício que o próprio Deus fez de si mesmo. Foi O Pai quem definiu o caminho até Ele - Cristo, o Crucificado e Ressurreto. É mediante o sacrifício de Jesus que o homem recebe a condição de poder chegar-se ao Criador, agora não como simples criatura, mas como filho de Deus.

    Será mesmo que a Reforma Inevitável foi um cochilo desse Deus? Estava Ele dormindo? Ou será que Ele não via, como em Ezequiel 8, as práticas repugnantes que eram feitas em nome de Deus, no meio do povo de Deus, pelos ditos servos de Deus? SIM, Deus via - Deus vê tudo. Deus sempre controla a História. A impressora recém-inventada por Gutemberg reproduziria não só palavras de Lutero e demais reformadores. Agora, a própria Bíblia era acessível a todos, que a liam e estavam expostos ao poder do Espírito Santo em sua vida pessoal. 

    O grito por Reforma já existia dentro da Igreja, mas não foi ouvido nem ecoou com mudanças significativas. A lição que fica nos remete ao Brasil: Há um grito por mudança entre os cristãos. Há um grito por integridade, por coerência, por fidelidade a Deus. Então vos digo que o Deus da História fará tantas Reformas quantas forem necessárias, e em nenhuma delas pedirá o nosso aval ou opinião, pois nós mesmos precisamos acatar o agir de Deus na História, para que não sejamos achados, como disse Gamaliel, combatendo contra Deus.

    (*) Casado com Maria Fernanda Bergsten, pai de dois filhos já casados, ex-empresário, hoje pastor de tempo integral da Comunidade Videira; Oficial da Reserva do Exército, formado em Engenharia Mecânica, com formação na FVG-RJ e Coaching pelo SBD; instrutor do SESI em diversos cursos de treinamento e capacitação em várias áreas profissionais, autor do livro Por Um Evangelho Simples e de dois canais no YouTube: <https://www.youtube.com/user/NBergsten/> e <https://www.youtube.com/user/100Rodeios



  • Os subsídios da Reforma e sua contribuição para a educação moderna


    02.10.2017 10h18m
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    Os subsídios da Reforma e sua contribuição para a educação moderna
    Martin Lutero criticou o currículo e o modelo aristotélico do ensino europeu e propôs um novo currículo e modelo em uma pedagogia mais humanista e moderna

    Por Luís Cláudio Zayit (*)

    A Reforma Protestante, segundo o professor Alderi Matos, foi um fenômeno variado e complexo do século XVI, que incluiu fatores políticos, sociais e intelectuais, iniciado por Martinho Lutero, quando publicou as suas 95 teses, em 31 de outubro de 1517 na porta da Igreja do Castelo de Wittenberg.

    Em homenagem ao aniversário da Reforma Protestante, que estará completando 500 anos, precisamos lembrar-nos dos seus principais pilares, o conceito de Sola Scriptura (somente a Escritura) de onde surgiu a liberdade e a universalização do ensino. Mas, o que era a tal "sola scriptura"? Martinho Lutero afirmou que só aceitaria o que pudesse ser provado pelas Escrituras.

    Aceitando somente a Escritura Lutero concluiu que a salvação era somente pela graça (sola gratia), somente pela fé (sola fide) e por Cristo (solus Christus), cujo propósito de culto era somente a glória de Deus (soli Deo gloria), discordando fundamentalmente da tradição católica, como por exemplo, a venda de indulgências. Em outros termos, o conceito de sola scriptura é fundamental para o entendimento da teologia protestante e de sua cosmovisão socioeducacional. 

    Os subsídios da Reforma Protestante para a universalização do ensino é evidente, porquanto essa não era exclusivamente envolvida com a concepção espiritual da sociedade, mas procurava também prover um alicerce sociocultural visível dirigindo as massas e visando cooperar para que a Reforma pudesse ser benéfica não apenas ao ofício religioso, mas também ao educacional. 

    Em uma Europa (século XVII) onde a maioria da população era analfabeta foi imprescindível dá letras ao povo antes de dá a Bíblia na língua do povo. Os reformadores estavam conscientes de que a alfabetização dos leigos e a aperfeiçoada educação filosófica dos clérigos seria um fator imprescindível para uma das cinco solas, bases da Reforma, que era a "Sola Scriptura" de onde surgiu a hermenêutica eclesiástica que foi a livre interpretação da Bíblia pelo povo. Por conseguinte a Reforma Protestante desempenhou amplo pioneirismo ao universalizar o ensino por meio da criação de uma pedagogia própria e de escolas para o povo, onde se incidiu o ensino gratuito.

    Pré-reformadores 

    Porém, estes valores sociais encontram um eco histórico em articulações feitas em tempos passados pelos pré-reformadores. Temos três grandes nomes entre tantos conhecidos e anônimos, e o primeiro deles é sem duvida alguma John Wicliff em 1376, com seu conceito de "corruptos não podem lidera as instituições" evocada pela obra "De Civili Dominio" onde ele elaborou um dos princípios da livre interpretação que é desfazer do discurso de poder demagógico dos ímpios. O pré-reformador e outros que se ligaram a causa (professores de Oxford), em 1382, traduziram a Vulgata Latina (Bíblia na versão Latina) para o inglês e abriram a Bíblia ao povo da Inglaterra pela primeira vez. 

    Outro nome a ser lembrado entre os pré-reformadores é John Huss, considerado por muitos historiadores como o sucessor direto de Wycliff. Huss foi professor da Universidade de Praga. Foi condenado por heresia em 1415 pelo Concílio de Constança. De acordo com uma história que se originou alguns anos após o fato - voltou-se para seus executores pouco antes da sua sentença ser realizada e afirmou: "Hoje vocês queimam um ganso, mas daqui a cem anos um cisne surgirá que vocês serão incapazes de cozer ou assar". O nome Huss significa ganso e cem anos depois surgia Lutero, o "Cisne".

    O terceiro é o William Tyndale (1484-1536), contemporâneo e amigo de Lutero, muitos o colocam como pré-reformador, mas é inegável que ele teve uma grande participação de maneira direta na Reforma Protestante. Seu grande projeto foi traduzir a Bíblia para o inglês direto de fontes hebraicas e gregas. Sua fonte foi o Textus Receptus (Texto Recebido, o manuscrito grego da Reforma). William Tyndale concluiu a tradução do Novo Testamento em 1525. 

    Segundo o professor Lorenzo Luzuriaga, a educação pública teve origem na Reforma Protestante. Seus subsídios sociais foram à educação pública, universal e gratuita, para aqueles que não poderiam pagar e tornaram um legado ao mundo moderno. O que fez Lutero em relação à educação? Criticou o currículo e o modelo aristotélico do ensino europeu e propôs um novo currículo e modelo em uma pedagogia mais humanista e moderna. 

    Lutero entendeu que para reforma a religião cristã era preciso modificar o Estado e que para modificar o Estado era preciso mudar a educação. Os historiadores chamam estas ideias de "pedagogia de Lutero". Com esta sua ideologia Lutero colocou nas mãos dos professores a mudança do pensamento medieval para o pensamento moderno. E o único meio era "educação livre para todos". 

    Segundo Riemer Faber é esquecido que a Reforma estava tão preocupada com a escola quanto com a igreja e o lar. Apreciando o papel da educação na direção da igreja e da sociedade de volta à fonte da fé cristã, os reformadores se comprometeram com a escolaridade dos jovens. Um dos primeiros atos de Martinho Lutero como reformador foi propor que os mosteiros fossem transformados em escolas, enquanto um dos seus últimos era estabelecer uma escola em Eisleben, onde morreu em 1546.

    Não só Lutero, mas também todos os reformadores promoveram ativamente a educação reformada em seus escritos e trabalhos. Por conseguinte, não é exagero afirmar que, como resultado da Reforma, a educação pública foi muito alterada até o final do século XVI.

    (*) Pastor, teólogo, pesquisador sobre os sefarditas e professor de História da Igreja
     



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